Coelhos de Algodão

Coelhos de algodão atravessam o céu,  
Desmancham estrelas, tecendo o véu.  
Saltam no horizonte que não tem chão,  
Desfazem relógios, quebrando a ilusão.

Em suas patas, constelações derretem,  
E as sombras das cores sussurram e prometem.  
Lagoas de vento refletem o nada,  
Onde o silêncio é uma risada alada.

Coelhos-pensamento, sem forma ou fim,  
Pulam no espaço de dentro de mim.  
E onde não há nem começo nem história,  
Sonho se torna a própria memória.

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