NÃO É DETERMINADO PELO HOMEM
Morte! Ah! Cessa tudo
Aqui da terra se descansa
É a terra do esquecimento
Não se houve mais críticas
Muito menos humilhações
A dor já não existe mais
Nem medo, nem frustrações
As dívidas ficam para quem tem obrigações
A morte é um mistério
Uns nem nascem, morrem no ventre
Outros morrem assim que nascem
Uns tão sadios morrem de repente
Outros doentes levam décadas
Para morrer
Uns pensam que podem viver mais
Não sabendo eles que não depende somente do pensamento
Não está determinado pelo homem
Uns vivem vagando como vagabundos
E sobrevivem décadas
Outros quase nem põem os pés no chão e se vão tenros
Que mistério que causa medo
A morte!
Cai um avião, capota um veículo, afunda uma embarcação
Mas um sobrevive sem explicações
Não está determinado pelo homem
Cessam os planos, as conjecturas
Cessam os choros
Se vão os bravos, os humildes
Pobres e ricos se igualam na morte
Não há mais discriminação
Tampouco ostentação de valores
Não importa o cemitério, se lindo ou feio, tudo é terra, e todos enterrados são comidos pelos vermes
De que vale a beleza, a realeza, os mestrados, e doutorados? Os que são cremados fogem dos bichos, mas esquecem que tem alma
Viver nem sempre é sinônimo de vida
Uns no auge da fama se degolam
É a morte o mistério
Ela ronda, ela sonda os que flertam com ela
Pensando que estarão livres
Tirando a própria vida
Nela cessam todas as esperanças
Tudo é aniquilado
Uns deixam lembranças boas
Outros nem são lembrados
E como passa o tempo
Muitos pensam que os velhos vão primeiro, seria a regra, mas o mistério
É a morte, e não está determinado pelo homem
Todo crivado de balas e sobrevive
Outro já morre por um susto
Mas muitos já velhos, cansados
Almejam a terra do esquecimento
Doentes, moribundos, terminais
Para se livrarem dos seus ais
Somos pó e ao pó tornaremos
Somos pó e nada levaremos
A morte é o mistério
Que não é determinado pelo homem
A vida é a sorte que o Criador nos dá.
Erimar Lopes.
Português
English
Español