Escritas

Feridas

Carol Ortiz


(Apenas palavras, nada real...não culpo, não odeio, só respiro...)
Às vezes me olho
E não sei quem sou
Essa foi a última gota
Que me afundou
Nunca pedi  amor
Nunca pedi  prisão 
Só desejei lealdade...
Me dói existir 
Me dói desconfiar
Me dói ser boa
Num mundo de horrores
Nada tem mais cor
Nada tem mais vida
E meu crime foi apenas
Ser eu mesma
Autêntica
Intensa
Cheia de bondade
De amor
De liberdade
De vida
(Que já tinha sido engolida
Por mãos tão cruéis)
Me sinto sozinha
De um jeito tão fatal
Tão amargo
Tão horrível 
Não confio em mais ninguém 
Não sorrio com brilho
Meu sorriso esconde dor
Vou indo
Andando
No compasso do cansaço 
Até quando deus quiser 
Tudo é indiferente
Vai? Fica? Tanto faz
Histórias...

2024