Escritas

Silêncio

Malena Farias Santa Anna

No início, não percebemos.

A distância vai aumentando milimetricamente.

Quando nos damos conta,

Há um abismo quilométrico.

 

Os olhares não se encontram mais,

A distância os impede de ver um ao outro;

A voz pode até chegar aos ouvidos,

mas não penetra no coração.

 

A distância impede o toque, o sentir.

Já não se abraçam mais,

Não se acariciam;

O silêncio está entre os dois,

aumentando ainda mais o abismo.

 

A última vez que se despediram foi sem um beijo.

E se o outro não voltasse? Como ficaria?

Ficaria a lembrança de como tudo começou.

E ficaria a pergunta que não saberia responder:

Quando começamos a nos afastar?

 

O silêncio é a resposta.

Silêncio devido ao abismo.

Silêncio, por você não estar mais aqui.

 

Muitas vezes decidimos recomeçar.

Mas, a cada recomeço, a energia era menor.

 

A vida se esvaindo, dando seus últimos suspiros.

Não desisti, pois ainda acredito que vale a pena.

Porém não há mais o mesmo encanto,

a mesma paciência, o mesmo olhar...

 

Pois a distância cria um abismo e

fica cada vez mais difícil sentir, olhar, beijar, abraçar.

O Amor não morreu, mas está sufocando.

O silêncio o tem estrangulado, aprisionado,

Torturado este sentimento tão bonito.

 

Quero viver a alegria do amor agora,

quero cumplicidade hoje,

quero companheirismo neste instante.

 

Que nossos olhares voltem a se cruzar,

pois podemos construir uma ponte

usando materiais nobres:

AMOR, RESPEITO, COMUNICAÇÃO, CUMPLICIDADE.

Só depende de nós.