Escritas

CARTAS A UM RICO PATRÃO

ERIMAR LOPES

Sequazes, debrucem sobre a mesa e escrevam das mazelas e desgraças dos pobres e miseráveis, das suas vidas detestáveis, escrevam com tinta vermelha, encham a caneta com o sangue deles derramado que mancha a terra sulcada pela relha e que clama até o céu pois rasgado se encontra o véu. Escrevam dos atos de fé e dignidade que não os deixam se corromper. Escrevam com o suor deles que se transforma em sangue por tanto sofrer, falem da fome que não tem nome, cor, raça, etnia, ou religião. Escrevam sobre servidão e servidão, malogro e assolação.  Debrucem sobre os anais da miséria que os matam de forma tão séria. Escrevam mesmo com o sangue deles, vermelho, rubro, carmesim, que enquanto houver este mundo essa miséria há de não ter fim. Debrucem e escrevam com sangue nos olhos, com sentimentos de compaixão, porque o sangue deles que clama, não clama em vão. Debrucem sobre a inanição, peles e ossos, mortes sem razão. Escrevam da injustiça, debrucem sobre a cobiça e a ambição desmensurada, que mói o pobre a quase nada. 

Erimar Lopes.

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