BRASILEIRO DE GEMA E RAIZ

Eu vim nas caravelas e negreiros
E estava na praia avistando as velas
Habitava a mata, a caatinga e o cerrado.

Troquei a liberdade por espelhos
Também comi o padre Sardinha
Aprendi e ensinei a catequese

Plantei e queimei a doce cana
Melava os dedos no melaço e a cara de aguardente
Conhecia de tudo que fosse Manihot
Beiju, beijo, beijei, lambi, me fartei

Então não se atreva dizer para não cantar
Não beber a jurema
Nem pra não adorar o ouricuri
Nem chorar meus mortos
E queimar-lhes os corpos
Para depois comermos as cinzas
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