Escritas

RELÓGIO DE PAREDE

Paulo Sérgio Rosseto
Ele enamorava os olhos da gente
Encantando as horas evasivas e cheias
Por cima das cabeças que entravam e saiam
Por vezes repletas e às vezes vazias

Fora o senhor do cansaço e da fome
Do quando vir ou ir embora
Dos acertos e atrasos
De todo espaço cravado ligeiro
Ou daquele que se demoraria

Traduzia em segundos o mundo que remexia
Dos passos que entravam
Da vida que seguia pelo portal aberto
Ou pela grade que prendia               

Agora dependurado
Deve estar deitado insignificante
Nalguma caixa vazia
No porão entre alicerces da torre
Desmedindo o mesmo tempo a que media
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