A delícia de perceber que a vida seguiu em frente
Alcides Reis Junior
Quando você se dá conta de que o passado finalmente ficou no passado.
Aí pronto. Balada, fim de madrugada, um monte de gente semi-embriagada e o DJ solta a música nova da Anitta “deixa ele chorar, deixa ele chorar, deixa ele sofrer, deixa ele saber que eu tô curtindo pra valer”. E eis que uma multidão de rostos – incluindo alguns que nem devem gostar da música- se enche de um ar soberano de satisfação e dezenas começam a cantar aquilo como se fosse o hino da própria vida.
“Deixa ele(a) saber que eu tô curtindo pra valer”. Não é coisa de só menina, de adolescente, de colegial. Seria bem mais fácil se fosse. Mas não. Homens adultos, mulheres de 50 anos, gays barbudos, executivas bem sucedidas, entregadores de pizza. Ninguém está livre de um rompimento sofrido e de um pós rompimento que nos rasgue dos pés à cabeça.
Anitta não te representa? “Quando você me quiser rever, já vai me encontrar refeita, pode crer, olhos nos olhos, quero ver o que você faz ao sentir que sem você eu passo bem demais.” Serve Chico Buarque?
Faz parte da vida de todo mundo. Sofrer, muitas vezes, é um efeito colateral do amor. E às vezes parece que a dor nunca mais vai acabar, que os voos nunca mais serão altos, que o sol nunca mais vai bater no rosto como batia antes. Parece que o relógio vai ficar parado ali para sempre.
O relógio da nossa vida pode até brincar de ficar parado, mas o tempo nunca falha conosco. O tempo que nos angustia é o mesmo tempo que cura. E ele vai passando mesmo que a gente não veja. Ele sangra, esteriliza e cicatriza. E de repente, não mais que de repente, você percebe que algo mudou.
Aí pronto. Balada, fim de madrugada, um monte de gente semi-embriagada e o DJ solta a música nova da Anitta “deixa ele chorar, deixa ele chorar, deixa ele sofrer, deixa ele saber que eu tô curtindo pra valer”. E eis que uma multidão de rostos – incluindo alguns que nem devem gostar da música- se enche de um ar soberano de satisfação e dezenas começam a cantar aquilo como se fosse o hino da própria vida.
“Deixa ele(a) saber que eu tô curtindo pra valer”. Não é coisa de só menina, de adolescente, de colegial. Seria bem mais fácil se fosse. Mas não. Homens adultos, mulheres de 50 anos, gays barbudos, executivas bem sucedidas, entregadores de pizza. Ninguém está livre de um rompimento sofrido e de um pós rompimento que nos rasgue dos pés à cabeça.
Anitta não te representa? “Quando você me quiser rever, já vai me encontrar refeita, pode crer, olhos nos olhos, quero ver o que você faz ao sentir que sem você eu passo bem demais.” Serve Chico Buarque?
Faz parte da vida de todo mundo. Sofrer, muitas vezes, é um efeito colateral do amor. E às vezes parece que a dor nunca mais vai acabar, que os voos nunca mais serão altos, que o sol nunca mais vai bater no rosto como batia antes. Parece que o relógio vai ficar parado ali para sempre.
O relógio da nossa vida pode até brincar de ficar parado, mas o tempo nunca falha conosco. O tempo que nos angustia é o mesmo tempo que cura. E ele vai passando mesmo que a gente não veja. Ele sangra, esteriliza e cicatriza. E de repente, não mais que de repente, você percebe que algo mudou.
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