Escritas

ALENTO

Paulo Sérgio Rosseto
Os olhos são sentinelas
Das linhas retas dos versos
Para que não misturem as pautas
Embaralhem as letras
Nem percam os sentidos
De como foram dispostas
Nos contextos diversos

Uma palavra mais outra
Outra mais de cada estrofe
Sem ponto sem vírgula sem nada
Não tenha começo nem pausa
Nessa costura dos versos
Exista interstício ou parada

Assim voando soltas
Por sentidos dispersos
Caibam inteiras nos sonhos
Dos corações mais complexos

É assim que poeta e poesia
Exterminam das faces do assombro
Cada um dos maus sentimentos

Todo olhar faz do poema um alento
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