Escritas

Fogos de Artifício

Agatha
Fogos de artifício. Era assim que eu me sentia cada vez que você olhava para mim, como se houvesse fogos queimando dentro do meu corpo, fogos que brilhavam mais do que as estrelas e faziam mais estrondos do que tempestades em alto mar. Eu sabia pelo seu olhar que você sentia o mesmo, afinal, você adorava fogos de artifício. Como nós amávamos aqueles fogos, tão quentes, tão acolhedores, eles diziam "casa".

Até que chegou o dia em que você se cansou deles. Disse que faziam barulho demais, brilhavam demais. Então você parou de assisti-los comigo. Mas eu fiquei esperando, sempre com um pequeno fogo na mão, aguardando o dia que você voltaria e diria que sente a minha falta, que queria, ao meu lado, ver os fogos subirem vitoriosos mais uma vez no céu estrelado e infinito.

Você não voltou. Eu deveria ter pensado, ter me falado que fogos de artifício não duram para sempre, eles têm seu momento de êxtase, a subida esplendorosa e o estouro festivo de cores, mas depois desse ínfimo momento, seu único futuro é cair perante o duro olhar da lua e definhar na escuridão da noite.

Hoje, você brilha ao lado de outro alguém, uma luz que ilumina cada canto sombrio, uma luz calma e forte, que combina perfeitamente com o silêncio que você emana junto de sua nova parceira. O silêncio que você tanto procurava.

Enquanto você tem esse brilho tão forte, eu estou aqui tentando acender uma mísera vela para acalentar esse meu coração, lembrando da época dos nossos barulhentos, mas belos fogos de artifício.