Escritas

Um Namorado

Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Acorda, poema meu!
Acorda com a corda toda!
Acorda com a vontade boa,
Porque quero gingar no teu bailado
Para que você gema, se arrepie
e se decline;
- Diante do meu requebrado -
És lindo, és meu, deidade nua 
e ensolarado,
Curvo-me ao teu ser abusado,
- Que faz por onde para que nada nos falte
No espetáculo musicado,
Que sempre prima por um frenesi
Sequer [imaginado],
E não há nada por ti
Que não seja [maliciado]...

Tenho por ti uma vontade robusta,
Para que em mim você se estremeça,
E no teu mar eu me aconchegue
No mais doce naufrágio,
E submersa em ti jamais me perca
Habitando serena e maliciosamente
Na tua profundeza;
Sem dó te ocupo, abandono a sutileza.

A tua gala verborrágica excitante,
Imprime em mim um desejo
Pela tua luxúria fascinante - latejante,
Presa no paradisíaco cárcere
Dos teus verbosos faiscantes 
De ais em ais,
Vais fazendo-me mais tua,
E ainda mais amante do teu semblante...

A tua cara e os teus pêlos provocam-me,
- eles fazem com que eu te invada
Com bom desacato,
Como a noite petulante agarra o sol,
E faz rendido o poente,
Porque em mim agarrado há um mundo,
- para ser conhecido e desbravado
Tudo isso no teu corpo cabe,
E nele tenho certeza de que sou poeta;
e encontrei tudo nele
Que dantes outrora eu havia sonhado.

Nunca imaginei sequer um dia
Estar apreciando o inusitado:
- Agora tenho um e[na]morado!

10/11/2012