A FERRUGEM NUNCA DORME

ANTÓNIO DE MIRANDA
ANTÓNIO DE MIRANDA
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Quando te tratarem sempre como um brinquedo Desconfia da intenção Ainda não chegou Dezembro A ferrugem nunca dorme Entretém-se a espalhar cruelmente a infâmia Que consome os nossos dias Enrouquece-nos os sentidos Não esquece um só pormenor Pinta-nos no corpo O som da dor E Por vezes Impede-nos de passar a ferro As pregas da saia da Marilyn Sabemos Sempre que é necessário Que para morrer um grande amor É preciso continuar a viver A ferrugem nunca dorme Compunge-nos com um hálito cínico Fingindo uma preocupação melíflua Exaurida na mentira abundante Com um amanhã Provavelmente tímido Sem nada para acontecer A ferrugem nunca dorme Transforma qualquer vontade Em torno deste tempo Num penhasco onde te possas inclinar.


2016,03
aNTÓNIODEmIRANDA
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