Escritas

Teatro da Renúncia

paidexiqueiro
Que todos os vínculos profundos de apropriação e exploração ínfima se urdam, com o intuito de suprimir os atributos de liberdade inerentes, destilando, assim, em tua essência, o epicentro de minhas reflexões mais sombrias e repulsivas, dando à luz psicoses que exacerbam o meu isolamento, transformando-me na penumbra do sujeito estranho.

Que o fogo ardente, nascido da intensa ânsia por agressão que irrompe de minha essência, queime com fervor, mas por uma consciência aguçada, mantenha-se distante de sua concretização palpável. Em mim reside a vontade de um déspota, entrelaçada com o coração de um filantropo, cujo nome é tão intricado que se perde na memória, queimando meus braços, cegando meus olhos, ensurdecendo meus ouvidos e arrancando de ti o pulsar de meu coração e as palavras de minha língua.

E a mim, apenas o deleite da indiferença mais bela e crua persiste, uma pequena lembrança das cinzas que acariciam meu rosto, libertando-me de um porvir repleto de desilusões. Em meio ao espetáculo das brasas extinguindo-se, encontro a redenção na frieza, saboreando a doçura da renúncia que se revela como a única promessa em meio ao terreno árido das expectativas despedaçadas.