E O FUTURO FOI PARA A PUTA QUE O PARIU

ANTÓNIO DE MIRANDA
ANTÓNIO DE MIRANDA
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Luz seca corta o céu 
em bocados de desespero
 Fugir sem sair
Morrer abraçado a um grito
Chorar numa cama de sombras vadias
 Humedecer a tristeza 
Acordar a espera 
Distrair a angústia 
Agarrar a fisga 
Rezar o último segundo 
Queimar o prazo da validade 
Regar ausências 
Explodir frequentemente
Enraivecer
Conferir
Suturar esperanças
Despoletar por aí



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