Escritas

Veredas

Wendel Jacinto da Silva

Um apaixonado por cerejeiras viu-as ao longe e caminhou seguindo sua beleza e frescor.
Por horas de caminhada seguiu seu perfume viu-se numa vereda íngreme.
Mas ainda sentindo o perfume, esmoreceu.
Olhou levemente ao seu Sudoeste, e viu um declive suave e uma praia ao longe,
Parecia-lhe ouvir o som das ondas.
Uma vereda em declive suave e hipnotizante e, a outra vereda, aclive ainda mais íngreme;
olhou o caminho irregular, pedregoso, esburacado com moitas e espinhos...
As cerejeiras tornaram-se foscas e eram como se não houvessem existido.
Parado era como se sentisse os espinhos na carne em pés torcidos pelo caminho pedregoso
o perfume fez-se sangria podre envolvendo seus sentidos.
Porém, ali, noutra vereda, praia, sol e tranquilidade.
O que mais poderia querer em meus dias que a glutonaria?
Vale ter os dias em dores por uma cerejeira, ou ...
o gozo da glutonaria na afrodisíaca praia junto a festas cercado por glutões e ninfas?
Perfume? Que seja da beleza das ninfas em delícias festivas de Baco...
Cerejeiras, dores, aclives, qual seu fim se meus dias têm fim?
Veredas... veredas em gozo de festivais,
Festas regadas à fartura, vinho e ninfas.
Alguns trilharam a via dolorosa,  
Fazendo-se Odisseu e Perseu seguiam pelo caminho peregrinando sob zombaria.
As pedras pelo caminho e espinhos cravando em suas mãos; sangue em pegadas.
Um tempo e mais um tempo de subida, chegaram a um córrego límpido, em suas águas saciavam sua sede enquanto as águas lavavam suas feridas cobertos pelas águas.
Ali, a sua frente, a cerejeira com seu perfume tomando todo seu ser.
Em beleza indescritível como um sonho, o sabor das cerejas com sua brisa.
O som da canção dos pássaros e sem arrependimento, mas cura, descanso e paz.
Porém, aquele, lá a beira da praia, corpo, mente e alma tomados.
O convidado fez-se escárnio de seu anfitrião,
Fê-lo objeto de glutonaria e luxuria a mesa de apostas.
Mas a pior dor lhe deixou: lágrimas de sangue em perpétuo arrependimento.