Escritas

A NASCENTE DAS LÁGRIMAS

Marta Tereza

É no regaço do coração
Que acontece a concepção das lágrimas,

Embriões que se alimentam de sentimentos

E que crescem transformando-se em regatos

Que sangram nos prados floridos da alegria ou da tristeza.

Fios d'água que atravessam o canal das emoções

E brotam nos olhos, portas do coração,

Como fontes cristalinas

Que ora vertem água doce; ora água salgada...

Rolam face a fora

Banhando-a com leveza de brisa

Para, em seguida,

Evaporar-se no ar

Como se fossem bolinhas de sabão.

Não têm boca mas falam.

Elas expressam

O que não pode ser visto a olho nú.

Não se distinguem as sinceras das falsas.

Ambas são lágrimas!