Escritas

O ser  e o nada

MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES
Eu nunca me completo
estou sempre em busca
me desmanchando e me refazendo
Não me aborreço com isso apenas fico curioso
Os meus sentidos me dizem que não sou o meu artifice
mas me sinto sempre fazendo coisas
em consonância com o universo
Pratiquei atos admiráveis e outros que esqueço para não sofrer
Eles foram irrefreáveis 
Sossego quando a tardinha se despede dos raios solares
porque a noite pertence aos deuses
e eu aguardo-a para aninhar-me em seus braços 
A depender do que me enlaça sou imponderável!
E é nesse momentâneo estado de ser que  me faço outro
Tenho muitos argumentos e dores
O fim-do-mundo é sempre um horizonte 
Mas de que mundo falo?
De qualquer um! Nada freia meus devaneios
Sou fogo e cinza, água cristalina e lama
Sou ora diamante, ora calcário
O ser em mim é  provisório 
e de resto me refaço do nada 
Nada pode ser o começo
pode ser a síntese 
ou o caminho da liberdade.  

Fátima Rodrigues ( expedicionários. João Pessoa, Paraiba,  Brasil. Em 10 de setembro de 2023.)
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