Escritas

Barragem

mafamorim
Abriu-se-me a alma esta noite.
Não acontecia há muito
Mas esta noite abriu-se-me a alma
E o meu peito fez-se barragem,
Que se aninha e comporta há tempo demasiado,
Que se faz fortaleza intransponível e animal indomado,
Mas que não evita transbordar 
Quando a memória rompe a eclusa
E sem pedir licença ou aceitar recusa
Toma e inunda a minha Pátria,
E torna vales e planícies em mar.