Escritas

O petroleiro

13KM Away from you
Tocou a buzina no mar,

Na vista, o petroleiro

E nós dois nesse barquinho

Só eu e a Sereia.

Botei a mão na água,

É gelada e tive medo,

A costa é longe, 

O remo é curto

Só queria meu pé na areia


Sinto um toque,

Um cutucão

Vejo sua brisa

Vejo sua mão,

Não tem mais tempo,

Tenho que ir, 

Mas ir para onde?

Não há tempo de vir


Sem salvação só resta tentar

A correnteza vai me levar

Estico o braço

Eu bato o pé,

A ponta afiada

Eu vejo a maré

Nos olhos tem sal

Na boca salgado,

No peito tem água 

E lá fora, mais nada

Tentei me livrar, tentei me

Soltar, 

Mas era o mar a me agarrar


Agora profundo,

Um feixe de luz

Um medo no peito

Uma calma na cruz

Tocou a buzina,

Mais uma vez,

Mas no barquinho,

A avidez.


Quem me diria,

Quem vai deixar 

Que entre na água

Os filhos do mar

Deixei-me afogar

Deixei-me levar

Porém é assim 

Que se deve deixar

Nas mãos do destino

Nas ondas do mar.