Frontispício
13KM Away from you
Vexações No. 1
Coberto em tecidos de lã, fica um peito,
Banhado nas lágrimas e sangue
Daquele que pensa demais, e ainda,
Faz pouco para quem o ama.
E quando a lua chega perto, mesmo se de longe,
Este peito olha para o céu, e corteja as estrelas,
Que não o olham de volta, pois não amam aos
Covardes e ovelhas.
E mesmo se este fosse, um homem de aço
De mente de pedra, sentiria na carne um corte profundo
Pois é tal a rejeição.
E quando fosse afogar as mágoas,
Na aguardente, que seja, ou na solidão,
Depois da embriaguez, sentiria na alma
Uma luz de vida, e voltariam mil memórias,
De quem o fez mal, ou o fez feliz:
E sua resposta, a tanta dor seria única,
Derramaria seu pranto, e olharia as estrelas,
Que, mais uma vez, o fariam de tolo.
Vexações No. 2
A paixão, quando apaga qualquer chama,
Que um dia era valor de namorados e seus sonhos,
Deixa morrer um calor, que se antes era a esperança,
Sua ausência o torna um anseio, uma pena de amar.
E quando esta chama, já apagada,
Levanta a fumaça a queimar os olhos,
Se revela um segredo sobre o caráter do amor:
Na riqueza é pragal, porém na morte, que permite
Tudo a ser lindo, é o luto e a mágoa de ser. —
Fotos antigas e sentimentais,
Lágrimas que caem por razão alguma,
A menina da imagem não estava morta.
Estava pior: nos braços de outro.
Será que sua boca ainda é a mesma?
Será que sua voz ainda é sútil?
Pergunte a seu peito, ele sabe a resposta.
Sim, ainda é tudo que você perdeu.
Acalme-se, a frustração um dia há de morrer.
Melancolias No. 1 (Suspiro)
Hoje o dia é triste,
E as nuvens concordam,
Pois não choram, mas como eu,
Não se encantam com os lares
E deprimem suas cores,
Cinzas e negras; vastas e infinitas.
Os pássaros piam seus únicos cantos,
E nesta terra, imensa e vazia,
Dos horizontes e penhascos que levam
Às praias, eu escuto os gritos espectrais
Do universo e dos fantasmas.
Em vista, em um prestígio orgulhoso,
De quem em terra de cegos, teve voz,
Fica a mansão de um rico, ou de um pobre,
Isolada nas melancolias de outubro,
Isolada no céu de jatos de água branca.
Eu sei, em minha forma de ser,
Que algum dia, quando for a hora,
Uma tarde nascerá feliz,
Mas no dia de hoje, meu caminho é vago,
Sem rumo, largado…
E eu prefiro que seja assim.
Melancolias No. 2
Quem sofreu vivo na pele,
A morte de uma lembrança,
E nela vivia, mil momentos e
Mil histórias
Lhe garanto, minha palavra,
Que na saúde ou na doença
Lhe permito o meu perdão.
E quando no dia houver o sol,
Ardendo no céu, esquentando os lagos
De parques nostálgicos,
E quando no muro de estilhaços,
Pousar meu bem-te-ví, ansiando o cair
Da tarde, digo-te que
Quando sentir, pelas ruas e portões
O aroma de tortas assadas por vovó,
E ainda, não esboçar um sorriso,
Ou um prazer alegre de ser
Te devo meu mundo,
Pois esta tristeza, nunca irá ceder.
E então, ao deixar seu pranto livre,
Pelas as esquinas de cidades
Que não merecem melancolia,
Só assim, e em tal cunho, de quem
Deixou demais, queimou demais
Para algum dia ser feliz,
Assinará a sua história
De um pobre infeliz.
Escolas (Frontispício)
Enterrado por olhos do bem,
Fica vagando um desejo sombrio
Nos invernos onde falta a comida.
Seria a maldade presente nos céus?
Ou seria um toque do instinto egoísta,
Que nos faz esquecer os valores morais?
É uma melodia, das quais se tocam nas
Trincheiras em guerra ou nos campos históricos,
E que te prende na mente e te diz o que é
Bom, mesmo quando é mal, e o que é mal,
Quando sabes o que é mal.
Este desejo primitivo,
Filho de um impulso
De desafiar e ser desafiado. —
Como uma ninfa, que dança nas
Praias e canta sua voz para os mares
Ouvirem, ele te chama, e diz:
Quem és ti, que me oprime,
Mas que dos calabouços, queres me libertar!
Liberte-me, e te trarei um instante de prazer,
Sou eu, teu ódio!
Promessas No. 1
Perto dos barcos no mar,
Nas cabanas de pesca que
O vento beijou, é lá onde ela está:
Na brisa da costa, cantando a alvorada.
Porém por um momento,
Nem que foi um sonho de amor
Ou a tolice de um apaixonado,
Corri até ela, e ela sorriu.
Contamos histórias,
Meus contos da areia:
Que cada grão foi uma vida,
De doutores ou boêmios.
Porém, como um raio no céu,
Que passa e explode, e depois
Logo vai, lhe dei a um olhar,
E nós dois soubemos,
Era a hora de ir.
Subimos o morro, e a manhã nasceu:
Eram as palmeiras, os coqueiros, e o povo
Que subia a praia. Hoje era mais um de
Nossos dias de Sol.
Promessas No. 2 (Azul)
Os rios do sertão,
Quando a noite é de estrelas,
Chamejam uma luz, azul e serena,
Impossível de explicar.
E os leigos do escuro, aprendizes da
Serra, vão seguindo as pegadas
Dos cavalos e vaqueiros
Que levam a verde relva de Iansã.
Em meu bolso carrego minhas pedras,
Para quem diz saber me guiar,
Ou para quem sabe, pular no rio,
Que me chama e seduz,
Pois da água profunda cristal,
Levantam-se os cantos
Das sereias de flume.
A lua me examina,
E reflete sua luz,
Branca de seda:
Que me torna perfeito,
Como qualquer um que nasceu
Das súplicas de Deus.
Coberto em tecidos de lã, fica um peito,
Banhado nas lágrimas e sangue
Daquele que pensa demais, e ainda,
Faz pouco para quem o ama.
E quando a lua chega perto, mesmo se de longe,
Este peito olha para o céu, e corteja as estrelas,
Que não o olham de volta, pois não amam aos
Covardes e ovelhas.
E mesmo se este fosse, um homem de aço
De mente de pedra, sentiria na carne um corte profundo
Pois é tal a rejeição.
E quando fosse afogar as mágoas,
Na aguardente, que seja, ou na solidão,
Depois da embriaguez, sentiria na alma
Uma luz de vida, e voltariam mil memórias,
De quem o fez mal, ou o fez feliz:
E sua resposta, a tanta dor seria única,
Derramaria seu pranto, e olharia as estrelas,
Que, mais uma vez, o fariam de tolo.
Vexações No. 2
A paixão, quando apaga qualquer chama,
Que um dia era valor de namorados e seus sonhos,
Deixa morrer um calor, que se antes era a esperança,
Sua ausência o torna um anseio, uma pena de amar.
E quando esta chama, já apagada,
Levanta a fumaça a queimar os olhos,
Se revela um segredo sobre o caráter do amor:
Na riqueza é pragal, porém na morte, que permite
Tudo a ser lindo, é o luto e a mágoa de ser. —
Fotos antigas e sentimentais,
Lágrimas que caem por razão alguma,
A menina da imagem não estava morta.
Estava pior: nos braços de outro.
Será que sua boca ainda é a mesma?
Será que sua voz ainda é sútil?
Pergunte a seu peito, ele sabe a resposta.
Sim, ainda é tudo que você perdeu.
Acalme-se, a frustração um dia há de morrer.
Melancolias No. 1 (Suspiro)
Hoje o dia é triste,
E as nuvens concordam,
Pois não choram, mas como eu,
Não se encantam com os lares
E deprimem suas cores,
Cinzas e negras; vastas e infinitas.
Os pássaros piam seus únicos cantos,
E nesta terra, imensa e vazia,
Dos horizontes e penhascos que levam
Às praias, eu escuto os gritos espectrais
Do universo e dos fantasmas.
Em vista, em um prestígio orgulhoso,
De quem em terra de cegos, teve voz,
Fica a mansão de um rico, ou de um pobre,
Isolada nas melancolias de outubro,
Isolada no céu de jatos de água branca.
Eu sei, em minha forma de ser,
Que algum dia, quando for a hora,
Uma tarde nascerá feliz,
Mas no dia de hoje, meu caminho é vago,
Sem rumo, largado…
E eu prefiro que seja assim.
Melancolias No. 2
Quem sofreu vivo na pele,
A morte de uma lembrança,
E nela vivia, mil momentos e
Mil histórias
Lhe garanto, minha palavra,
Que na saúde ou na doença
Lhe permito o meu perdão.
E quando no dia houver o sol,
Ardendo no céu, esquentando os lagos
De parques nostálgicos,
E quando no muro de estilhaços,
Pousar meu bem-te-ví, ansiando o cair
Da tarde, digo-te que
Quando sentir, pelas ruas e portões
O aroma de tortas assadas por vovó,
E ainda, não esboçar um sorriso,
Ou um prazer alegre de ser
Te devo meu mundo,
Pois esta tristeza, nunca irá ceder.
E então, ao deixar seu pranto livre,
Pelas as esquinas de cidades
Que não merecem melancolia,
Só assim, e em tal cunho, de quem
Deixou demais, queimou demais
Para algum dia ser feliz,
Assinará a sua história
De um pobre infeliz.
Escolas (Frontispício)
Enterrado por olhos do bem,
Fica vagando um desejo sombrio
Nos invernos onde falta a comida.
Seria a maldade presente nos céus?
Ou seria um toque do instinto egoísta,
Que nos faz esquecer os valores morais?
É uma melodia, das quais se tocam nas
Trincheiras em guerra ou nos campos históricos,
E que te prende na mente e te diz o que é
Bom, mesmo quando é mal, e o que é mal,
Quando sabes o que é mal.
Este desejo primitivo,
Filho de um impulso
De desafiar e ser desafiado. —
Como uma ninfa, que dança nas
Praias e canta sua voz para os mares
Ouvirem, ele te chama, e diz:
Quem és ti, que me oprime,
Mas que dos calabouços, queres me libertar!
Liberte-me, e te trarei um instante de prazer,
Sou eu, teu ódio!
Promessas No. 1
Perto dos barcos no mar,
Nas cabanas de pesca que
O vento beijou, é lá onde ela está:
Na brisa da costa, cantando a alvorada.
Porém por um momento,
Nem que foi um sonho de amor
Ou a tolice de um apaixonado,
Corri até ela, e ela sorriu.
Contamos histórias,
Meus contos da areia:
Que cada grão foi uma vida,
De doutores ou boêmios.
Porém, como um raio no céu,
Que passa e explode, e depois
Logo vai, lhe dei a um olhar,
E nós dois soubemos,
Era a hora de ir.
Subimos o morro, e a manhã nasceu:
Eram as palmeiras, os coqueiros, e o povo
Que subia a praia. Hoje era mais um de
Nossos dias de Sol.
Promessas No. 2 (Azul)
Os rios do sertão,
Quando a noite é de estrelas,
Chamejam uma luz, azul e serena,
Impossível de explicar.
E os leigos do escuro, aprendizes da
Serra, vão seguindo as pegadas
Dos cavalos e vaqueiros
Que levam a verde relva de Iansã.
Em meu bolso carrego minhas pedras,
Para quem diz saber me guiar,
Ou para quem sabe, pular no rio,
Que me chama e seduz,
Pois da água profunda cristal,
Levantam-se os cantos
Das sereias de flume.
A lua me examina,
E reflete sua luz,
Branca de seda:
Que me torna perfeito,
Como qualquer um que nasceu
Das súplicas de Deus.
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