Súplica

Encontre-me em um desses bares
De beira de estrada
Sem aviso prévio ou desculpas salutares
Fuja da família, deixe a amada
Beba meu silêncio e minhas meias-palavras

Misture meu hálito quente ao ar úmido, que paira à sua volta
Sem cortejos ou fantasia
Sem casamento ou revolta
Regue-me com uma porção de versos soltos, sem demagogia
Convide teus fantasmas para o quarto
Faça figa, mas faça valer o pecado

E amanhã, quando nosso segredo onírico
Quiser bater à porta, na solidão ou no meio da tarde
Forje inocência, aperte os olhos e ria do eu-lírico
Somos velhos conhecidos, não precisamos de disfarces ou alarde
Não precisamos de mistério, tampouco da verdade.
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