Antimatéria
Flávio Ferretti
Não deveríamos morrer tanto assim
de medo de raiva de vergonha
não se deveria sequer sentir
abertamente o doer do tempo
que toma o corpo em acidez
estocada do ponteiro na carne
duração da realidade
não é certo perdermos de cara
a razão como a antimatéria
do sangue vivo jorrado
trocado por envelheceres
quão errado leiloar os joelhos
a promessas ou sucumbências
pelas mãos que já foram abrigos
agora muros de coração
2021
Poema do livro Gravitacionais 2023
de medo de raiva de vergonha
não se deveria sequer sentir
abertamente o doer do tempo
que toma o corpo em acidez
estocada do ponteiro na carne
duração da realidade
não é certo perdermos de cara
a razão como a antimatéria
do sangue vivo jorrado
trocado por envelheceres
quão errado leiloar os joelhos
a promessas ou sucumbências
pelas mãos que já foram abrigos
agora muros de coração
2021
Poema do livro Gravitacionais 2023
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