Escritas

TRADUÇÃO

Paulo Sérgio Rosseto
Sou só como ave da noite
Sem hora exata em sair
Nem um ramo certo de pouso
Ou preocupado por voltar
Antes da porção de sol do dia

Sou só quanto o vagalume
Na escuridão do horizonte
Cujo clarão se dissipa
Margeado pela negritude
Além das bordas do holofote

Tão só quanto o estribilho
Que no bis separa-se da música
Igual à goteira que pinga soturna
Na casa pela cumeeira
E de pingo em pingo inunda

Minha intensa solidão é deserta
Desperta necessidades na tua mão
Apertar toscas lembranças
Confortar tantas esperas
E afagar meu coração

Sou só quanto os meus olhos
Que apesar do mesmo rosto
Veem-se somente por espelhos
A minha solidão é um par de versos
Que me traduz em poemas
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