Escritas

COM A LÍNGUA

Paulo Sérgio Rosseto
Damos todos com a língua no céu
Quando a boca está fechada

Ali no palato onde ela roça
Trisca bolina esfrega se apoia
E descansa depois da risada
Do assobio quando canta
Ou após a dança contínua da fala
É que ela mora habilidosa
Às vezes ousada libidinosa
Às vezes silenciosa 

A língua tem na boca a sua casa
Passeia pelos lábios
Resmunga sussurra declara
Depois repousa na saliva mucosa 
Ainda que a cara esteja irada
E ela ressequida cuspindo ou pedindo água
E se dê com a faca nos dentes

A minha língua materna
É o instrumento da mente
Vive encantada e escancara
Poemas prosas cantigas clamores
Essa língua portuguesa
Enamora-me de amores por minha gente
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