Escritas

O Crepúsculo do Conhecido: Um Diálogo com a Morte

Lucas Ferhem
Fui apresentado à morte e sua imensa porta,
Um vislumbre não desejado, 
No corredor infinito, a deslumbrante alvura da eternidade, essência do vazio impregnando minha existência.

A Morte, fria, como vento de inverno, aproximou-se e murmurou,
Sua voz, um cristal glacial:
"Ó jovem andarilho, este é o crepúsculo de tua existência,
Tua jornada, um pergaminho desgastado, agora sem retorno."

Repliquei: "Sinto o frio do medo que me invade",
E a Morte indagou: "Por quê, por que temer?"
"Não conheço o aroma do desconhecido,
Que está além desta porta, não posso perceber."

"Em breve sentirás sua fragrância" - disse a Morte,
Com um sorriso largo, sem piedade.
"Por que o medo te abala, por que te domina?
Não estás só, estou aqui, aceita a realidade."

E então, com um toque mais leve que penas,
Conduziu-me ao desconhecido, sem olhar para trás.
Fechei os olhos e caminhei,
Envolvido no silêncio do infinito a me abraçar.

Não sei por quanto tempo
Caminhei, ou onde fui levado.
Mas quando abri os olhos,
O medo havia evaporado.

Encontrava-me em um território desconhecido, uma morada transcendente, banhada por uma luz indescritível, cujo sabor evocava lembranças doces, isentas de qualquer amargura.
E a Morte, ao meu lado,
Sua mão na minha, um frio acolhedor.

Ela disse: "Este é o entardecer
De tua jornada antiga.
Este é o amanhecer
De tua nova vida."

E então, com um sorriso que parecia sádico,
Disse: "Bem-vindo à tua morada, não fuja".
E eu soube que estava em casa, mas a luz tinha um gosto inesperado de brasas.