Escritas

o baloiço

Faye Carneiro
balançavas um infrutífero fruto que se transformava em fôlego 
e contavas pelos dedos dos pés
fitaste-me os olhos como se me quisesses amar
mas ficaste-te pelas costas do curto e contínuo corte

no meu nascimento nasceu um nome e morreram muitos
frutos fixados e pintados de curtos 

não sei o que é a poesia nem a rima
nem o fruto forte da sorte 
mas sei o que tu sabes da amizade
e sei o que é a morte 

fogo fátuo que encerra
o sinal do fumo feito e farto
nunca encerrei em tal pranto
o esforço infame e arto 

no adro da igreja caiu-me o berço e ficaram-me as costelas
no meu peito, debruçaste-te nelas 

rente à terra rente ao mar
rente a onde me deixaste amar
pastor humilde dado a mastigar
rente à terra rente ao mar