Setembro Despedaçado
Robson Lins
Mais um dia na cidade grande, muita gente passando fome
A correria como sempre começa
Num cotidiano sempre com pressa.
Apesar da alegria de ser promovido,
Não presto atenção no mundo onde vivo,
Que mais uma vez passa despercebido.
Tento admirar o que a natureza tem a dar,
Porque esse barulho não dá pra aguentar,
Nessa selva de pedras não se vive,
Um exemplo é aquela criança triste,
Que com fome de um banco assiste,
A fome d'outra criança triste.
Apesar de toda essa modernidade,
As florestas são derrubadas com extrema crueldade,
Só para construir mais outra cidade.
Já está tudo preparado, os soldados estão armados,
E clamam com gritos e cartazes
A sobrevivência do mundo selvagem.
Estou atrasado, apresso o carro,
Depois de meia hora vejo
O congestionamento é um pesadelo,
Enquanto do outro lado da rua,
Um assaltante em plena fuga,
Foge da polícia arrancando os cabelos.
Súbito, ouço um grande estrondo,
Pessoas gemendo, pessoas chorando
A nuvem invade avenida,
Uns correm, outros gritam
As gêmeas não são mais as mesmas,
Ninguém consegue ver as suas belezas.
Ela vem, e vem tinhosa,
E adora ser gulosa.
Pega-me pela garganta e levanta
Vê se me solta coisa insana,
Hoje, tu não me terás,
Que tu queres, satanás?
Outro estrondo ocorre
Tento correr, mostrar que sou forte.
Tropeço e caio no chão,
Vejo sangue em minhas mãos,
E ao olhar pro lado, fiquei paralisado.
Eram corpos espalhados.
Escapei da morte uma vez,
No sei se posso fazer outra vez
Cai sobre mim mais um corpo
Penso, quem será esse louco?
Que faz de nós um brinquedo
E da vida um pesadelo.
O centro do globo agora é outro,
O mundo parou, viu,
E só um homem sorriu.
E eu compartilhando para o ser espetáculo
Só mais um corpo a ser contado,
Meu coração está quebrado.
Vi cair a outra gêmea,
E senti uma dor suprema
Que me esganava por dentro.
O pó faz mais vítimas,
Ali, duas crianças perdidas
Que por sorte ainda estão vivas.
As trevas vêm se espalhando
Essa dor já não estou aguentando,
Me falta ar pra respirar
Me falta forças pra lutar
Mesmo que eu consiga sair,
Nunca mais esquecerei daqui.
Abro os olhos, estou no hospital,
Lá fora canta um lindo coral
Eu sinto que não estou normal.
Tento me levantar, mas não consigo,
Não tenho pernas, estou perdido
E descubro que meus filhos, não estão mais vivos.
Bate-me uma dor enorme,
Ainda sofre Nova York,
Pela a perda dos seus filhos.
Dois prédios despedaçados
Nessa cidade um grande buraco,
que só lembra terror e dor.
Um homem está sendo caçado,
Querem-no morto, vivo ou enterrado,
Por que ele é o culpado
Daquele ataque inesperado
Na cidade onde vivo,
E não é justo, que ele esteja sorrindo.
A lamentação é tanta,
Perdemos nossas crianças,
E ainda sofremos com as lembranças.
Os heróis que sobreviveram
Hoje morrem de desespero,
E de doença do pó negro.
A correria como sempre começa
Num cotidiano sempre com pressa.
Apesar da alegria de ser promovido,
Não presto atenção no mundo onde vivo,
Que mais uma vez passa despercebido.
Tento admirar o que a natureza tem a dar,
Porque esse barulho não dá pra aguentar,
Nessa selva de pedras não se vive,
Um exemplo é aquela criança triste,
Que com fome de um banco assiste,
A fome d'outra criança triste.
Apesar de toda essa modernidade,
As florestas são derrubadas com extrema crueldade,
Só para construir mais outra cidade.
Já está tudo preparado, os soldados estão armados,
E clamam com gritos e cartazes
A sobrevivência do mundo selvagem.
Estou atrasado, apresso o carro,
Depois de meia hora vejo
O congestionamento é um pesadelo,
Enquanto do outro lado da rua,
Um assaltante em plena fuga,
Foge da polícia arrancando os cabelos.
Súbito, ouço um grande estrondo,
Pessoas gemendo, pessoas chorando
A nuvem invade avenida,
Uns correm, outros gritam
As gêmeas não são mais as mesmas,
Ninguém consegue ver as suas belezas.
Ela vem, e vem tinhosa,
E adora ser gulosa.
Pega-me pela garganta e levanta
Vê se me solta coisa insana,
Hoje, tu não me terás,
Que tu queres, satanás?
Outro estrondo ocorre
Tento correr, mostrar que sou forte.
Tropeço e caio no chão,
Vejo sangue em minhas mãos,
E ao olhar pro lado, fiquei paralisado.
Eram corpos espalhados.
Escapei da morte uma vez,
No sei se posso fazer outra vez
Cai sobre mim mais um corpo
Penso, quem será esse louco?
Que faz de nós um brinquedo
E da vida um pesadelo.
O centro do globo agora é outro,
O mundo parou, viu,
E só um homem sorriu.
E eu compartilhando para o ser espetáculo
Só mais um corpo a ser contado,
Meu coração está quebrado.
Vi cair a outra gêmea,
E senti uma dor suprema
Que me esganava por dentro.
O pó faz mais vítimas,
Ali, duas crianças perdidas
Que por sorte ainda estão vivas.
As trevas vêm se espalhando
Essa dor já não estou aguentando,
Me falta ar pra respirar
Me falta forças pra lutar
Mesmo que eu consiga sair,
Nunca mais esquecerei daqui.
Abro os olhos, estou no hospital,
Lá fora canta um lindo coral
Eu sinto que não estou normal.
Tento me levantar, mas não consigo,
Não tenho pernas, estou perdido
E descubro que meus filhos, não estão mais vivos.
Bate-me uma dor enorme,
Ainda sofre Nova York,
Pela a perda dos seus filhos.
Dois prédios despedaçados
Nessa cidade um grande buraco,
que só lembra terror e dor.
Um homem está sendo caçado,
Querem-no morto, vivo ou enterrado,
Por que ele é o culpado
Daquele ataque inesperado
Na cidade onde vivo,
E não é justo, que ele esteja sorrindo.
A lamentação é tanta,
Perdemos nossas crianças,
E ainda sofremos com as lembranças.
Os heróis que sobreviveram
Hoje morrem de desespero,
E de doença do pó negro.
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