Escritas

Semblante

Eduardo de Souza Lobo Pacheco

A taça de vinho
o beijo no espelho

Sou esse que está na sua frente
É doce o caminho
Se prenda ao sabor

A reta que escreve 

a vida no oposto 

Contrasta na dor

Não fale de amor

E se torce no agosto

Se para sentir é preciso descer

À altura de quem por tão pouco morreu

Despenca da crista 
Desseca do trigo 
O pão na fumaça 

A volta do vulto 


Espera um instante


Carne e osso

Não passa do chão

Só chove a nascente, 
pois seja frugal, 

Abutre extorquido

Remanso da noite

tum dum no ouvido

Derrame do quente

Se toda artéria 

Escolta o líquido

O sangue na taça

Num beijo

A secura

Das pernas errantes

migalhas na sombra

Se há voz é que existe
e vaga na noite