Escritas

Ecos do silêncio

Frederico de Castro

No vácuo do vazio vibra um abismo prenhe de réplicas efusivas
Num minuto esmagam-se sessenta segundos esventrados e convulsivos
No rascunho dos céus desenho aquele esfomeado desejo quase primitivo

Ao redor dos lamentos vasculho cada murmúrio gemendo carente e recidivo
Em cada recanto da alma replica-se a solidão repleta de uivos egoístas, ali cativos
Amordaça-se o poente tão empanturrado de poéticos e implosivos ecos infinitivos

A esmo esvaiem-se as horas caçoando daquele definitivo lamento mui esquivo
Assim se esquarteja uma luminescência enamorada de platónicos afagos persuasivos
Dos céus jorra o poente um esbelto e tão inconfessável aguaceiro de desejos interativos

Frederico de Castro
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