Escritas

SONETOS DAS DESVENTURAS DO AMOR

dantenegro
I


Senhora, sabe que tanto vos quero

do quanto que desejo vosso amor

do tanto que vos causa desfavor

devido a minha angústia quanto espero!

Mas vale a pena se aguardar vos possa

pois um segundo contigo parece

eternidade que amando acontece

que tanto mais vossa alma se remoça!

Se prometida minha, vós não seja,

sofrendo mais minha alma que deseja,

a tendo perto embora estando longe!

Amar assim é amargo sentimento

devido a situação que vos constrange

proibido amor vale consentimento?!

II

 

Senhora, ainda posso vos querer,

certeza não tenho e presumo apenas,

nem sei se o sacrifício vale a pena

arriscar pra terdes como puder!

Só peço-vos, que se não me sentencie

devido as esperanças que mantenho,

feito gado desordeiro que ordenho,

mordaça na boca que me silencie.

Ah! Senhora, vos peço, na hora extrema

que de consentimento venha ter...

sem que vos sinta comigo entre algemas!

Sendo natural o que acontecer

Senhora, afasta de mim se puder,

do contrário seja eu clara, e vós gema!

 

 III

 

Minha Senhora, quero vossa paz,

e sei que estás comigo por vontade,

mesmo além de quaisquer fatalidade,

sentimento de culpa que vos traz...

À mente o que se nos vai martelando,

tal tique-taque no passar das horas

distante sofro, e vós sofreis, penhora,

enquanto o tempo vai nos afastando!

Vós sois a lua, quando anoitecendo,

eu sol, perante o dia vou crescendo,

no breve eclipse para se abrasar!

Minha Senhora, vos peço paciência

sei que Deus pode não nos perdoar,

suplico a Ele somente tal clemência!

 
IV

 

Outro hás de vos querer e vos amar

Senhora, serás dele certamente,

pois vosso coração ainda é crente

neste amor que deixamos de apostar...

À distância alimentará saudade

do que vivemos mas virou história,

que alimentamos dentro da memória

e passa tal quem age por vontade?!

Se vós deveis partir minha Senhora,

saberei inconformado, ser preciso!

Sofreria mais com vossa demora...

Se tiverdes que partir de verdade,

prefiro gerir dor duma saudade,

mesmo a saber que aos poucos me devora!

 
 

V

 

Senhora, se me conformar não possa

pela chama do amor que me domina

ante a dor que me causa e contamina

a ocasionar triste saudade vossa!

De tais dificuldades me mantenho

que devido a estar preso por vontade

sofrendo então deveras de saudade

sabendo do amor que a dizer não tenho!

Senhora minha quero por justiça

livrar-me do desejo que enfeitiça

por só guardar agora sofrimento?!

Se de vós nenhum beijo me consola

quiçá poder verdes de camisola

ficando meu querer só de momento!

 VI

 

Há de valer se apenas consentisse

de tudo que de vós me proporciona

caso fosse deleite que ambiciona

e não só porque querendo exigisse

me vale vos querer ainda agora

somente para vos ter pertencida

tendo vossa consciência dividida

ante a chama do amor que vos devora?!

Não sei amor qual motivo apresenta

ou nem como a vontade se sustenta

diante do sentimento sem futuro

que por vós fico nutrindo, Senhora,

tal uma plantação que nem vigora!

Querendo ser amado não me curo.

 VII

 

Mentiria ao dizer que não vos quero

que passou o sentimento que tenho

que guardado no meu peito mantenho,

a tal chance que não devia... e espero!

Em vós, encontro o bem de que desejo

mas, desistir eu sei ser bom alvitre,

querer ter algo bom, quem há que evite?!

E eu resisto, contra a ordem de despejo...

Mas quando a mão de Deus me pesa mais,

não posso relutar nem sou capaz,

cuja ânsia de perder-vos me devora!

Pois que eu fique, cá triste vos querendo,

a dor aumenta, por dentro eu morrendo,

e em versos vos despeço triste agora!