Escritas

DAS PROVAS DA PAIXÃO

dantenegro
I

 

Paixão que certamente desordena

e não se deve com ela brincar

que nos deixa à prova na arte de amar

que tanto nos salva como condena?!

Paixão que também derruba as alianças

provoca sentimento de torpor

que pode nos causar prazer ou dor

por apostar numa falsa esperança!

Quem consegue uma paixão definir

E sem receio costuma admitir

dizendo a alguém estar apaixonado?!

Se ela então nos atrai ou nos assusta

não sabemos ser benção ou pecado

ao menos perda de sono nos custa!

  

II

 

E, nela tudo é fim e recomeço

um desajuste da própria razão?!

Nem adianta querer rezar um terço

buscar com sabedoria explicação...

É o que nos derruba e também eleva

que de uma maneira estranha alucina

faz-nos trafegar entre luz e trevas

ante uma miragem que nos fascina!

Nos causa um descontrole emocional

pode gerar tanto bem quanto mal

ora nos aprisiona... ora liberta?!

Algo proibido para se desejar?

tesouro que nunca vai encontrar?

quanto mais a nossa saudade aperta!

 III

 

Paixão nunca será coisa absoluta

sempre haverá de assim nos fracionar

Rendido quando se quer dominar

empenhando o esforço perde-se a luta!

Quando a gente assim pensa haver ganhado

o que na verdade é tiro no escuro

Esperar algo que seja seguro

numa fonte de um desejo insaciado!

Quem numa paixão um conforto busca

a própria natureza dela ofusca

pelos fins que os meios vai apontar!

Nos entristece por não dar conforto

por navegar sem enxergar o porto

nem ver o farol que possa guiar!