SOLIDÃO
dantenegro
I
Pois se esta solidão que te visita
Vem ser causa de tanto sofrimento
Se nada mais te alivia o pensamento
Sentido uma sensação esquisita.
Sombra da vida que levou bandida
Que embora não passou de esquecimento
Curtindo coisas que são de momento
Mas que normalmente são esquecidas!
E assim hoje no silêncio do quarto
Sente dor como se fosse dum parto
A gerar dentro de ti uma tristeza.
O tempo agora sendo teu algoz
Te maltrata com falsas gentilezas
Como se fosse desatar teus nós?
II
Como se fosse desatar teus nós
E tudo parecesse diferente
Tanto persiste feito dor frequente
Quando sufoca na garganta a voz.
Porque o destino torna deprimente
Querer alguém que nem olha pra nós
Como se faltasse cães para os trenós
Passando com alguém na nossa frente!
Usando forma de nos provocar
Motivo tão somente de humilhar
Quem tanto se entregou de amor por ti!
Tanto usou e abusou de quem te amava
E a sua perda foi o eu mais sente
Enquanto a tal solidão me abrigava!
III
Enquanto a tal solidão me abrigava
Longe de você morri pouco a pouco
Como registro de amor de alguém louco
Quanto mais me perdia me encontrava
Quanto mais nem sabia que me amava
Mais não foi todavia nem tampouco
Aquilo que era maduro ficou oco
Apodrecendo a fruta que eu gostava
Tendo uma solidão por companheira
Depois de haver-me dito ser besteira
Nosso caso de amor que naufragou
Caso de amor que parecia ser tudo
Mas tal uma folha o vento levou
A buscar razão quanto mais me iludo
IV
A buscar razão no quanto me iludo
E a gente na verdade nem merece
Tudo que a vida de bom oferece
Ou broqueamos como se fosse escudo
Desejar alguém que depois parece
Não mais querer como queria antes
Quando éramos ainda ternos amantes
Tanto quer e deseja e nos esquece!
Bem sabe agora que nos deixou só
E a relação bonita virou pó
Sem que houvesse então chances de voltar.
Você com outra pessoa vive agora
Mas eu mesmo não deixei de te amar
Vivendo a solidão que me devora!
Reviver-MA, em 29 out 19
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