Pedido de Arquivamento de Processo
Ádamis Oliveira
Excelência, eu não quero ser pedinte,
Nem vos peço que seja generosa,
Mas, em nome do meu constituinte,
De uma forma cortês e respeitosa,
Venho aqui oferecer a renúncia,
O descarte, o abandono, a retirada
Desta terna e tão singular denúncia
Que – nos autos – se encontra registrada.
Jamais quis abrir mão deste processo,
Mas arquive-o! É isso que vos peço.
Já não há condições para esta ação...
“Coração” não provém sua tutela;
Meu cliente também roubou o dela;
Já não sei mais dizer quem é o ladrão!
*Numa ida à Cantina de Seu Jadir e Dona Lena, na Faculdade de Direito de Campina Grande (CCJ – UEPB), me deparei com um amigo concentrado na escrita de alguma coisa. Me aproximei e perguntei do que se tratava. Narrou estar escrevendo uma ação penal com o intento de denunciar uma cidadã que, segundo ele, o havia sequestrado lhe fazendo refém do brilho dos seus olhos. Não fosse o bastante, disse ainda que a moça lhe roubou violentamente o coração. Achando o texto interessante, pedi para atuar no caso como “advogado”, pleito concedido pelo amigo que verbalmente firmou nossa procuração. Na mesma noite, ao sair da faculdade, vejo nos bancos debaixo dos ipês do CCJ a vítima e a ré pactuando um perdão tácito lançando cada um os seus braços nos abraços do outro. Assim sendo, achei por bem peticionar o eminente arquivamento do processo.
Nem vos peço que seja generosa,
Mas, em nome do meu constituinte,
De uma forma cortês e respeitosa,
Venho aqui oferecer a renúncia,
O descarte, o abandono, a retirada
Desta terna e tão singular denúncia
Que – nos autos – se encontra registrada.
Jamais quis abrir mão deste processo,
Mas arquive-o! É isso que vos peço.
Já não há condições para esta ação...
“Coração” não provém sua tutela;
Meu cliente também roubou o dela;
Já não sei mais dizer quem é o ladrão!
*Numa ida à Cantina de Seu Jadir e Dona Lena, na Faculdade de Direito de Campina Grande (CCJ – UEPB), me deparei com um amigo concentrado na escrita de alguma coisa. Me aproximei e perguntei do que se tratava. Narrou estar escrevendo uma ação penal com o intento de denunciar uma cidadã que, segundo ele, o havia sequestrado lhe fazendo refém do brilho dos seus olhos. Não fosse o bastante, disse ainda que a moça lhe roubou violentamente o coração. Achando o texto interessante, pedi para atuar no caso como “advogado”, pleito concedido pelo amigo que verbalmente firmou nossa procuração. Na mesma noite, ao sair da faculdade, vejo nos bancos debaixo dos ipês do CCJ a vítima e a ré pactuando um perdão tácito lançando cada um os seus braços nos abraços do outro. Assim sendo, achei por bem peticionar o eminente arquivamento do processo.
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