Escritas

Quereres

matteoimantova
O QUE QUERO (Ode aos grilhões) 

Seus belos olhos negros
Negros como os cachos de teus cabelos
Negros que libertaram dos grilhões
Meu espírito de cativo ao vê-los

Mas mal ouvi os cantos de alforria
Encontrei-me ali noutra galé
à minha espera, ainda mais cativante:
Teu riso, feitiço encantado de Salomé.

E como em hipnose da esbelta dançarina
a tudo entregaria em seus pedidos,
o único não que lhe daria:
Me ver livre das correntes desses lábios vívidos

Seria com agrado deles cativo;
Em sua homenagem ergueria o altar 
a que diuturno retornaria
cada vez mais feliz por me agrilhoar.

E não haveriam súplicas aos céus
de arrependimento ou temor;
pois minhas espumas flutuantes seriam
Todas dedicadas a te adornar com amor.

O QUE QUERES (parte II)

Do meigo sorriso 
No canto dos lábios
Como canto de atiço
Me trouxe em atalhos
Ao chamado dessa sirena;

Da embarcação dest`alma
Tão logo se apoderou
de meus pensamentos
Todo resto inundou
Com tímida calma

Do meu coração, o batel atormentado
Queres o leme, reinar de lado a lado?