diário 1
Praticar o bem exige, acima de tudo, humildade de se reconhecer em alguns momentos como perverso. Sabendo da natureza ambígua ou, melhor, universal, seremos mais compassivos com nós mesmos. Em muitos momentos do meu dia, sou incrivelmente perverso, o que me espanta. Posso ser tudo aquilo ao qual me oponho. Em mim, moram todos os defeitos e crimes. Entretanto, não sou aquilo que penso nem sinto. O meu ‘eu’ se encontra acima dessas entidades, em algum lugar construído por Deus com muitos quadros de sentimentos e pensamentos humanos diversos. Em um quadro, há uma criança chorando, segurando, com as 2 mãos, a perna esquerda com feridas abertas; ao lado, um homem com face violenta munindo um graveto espesso. Em outro quadro, o mesmo menino, o mesmo homem, mas com os papéis invertidos. Tais lembretes de quem somos cumprem o propósito de termos em memória que podemos exercer todos os personagens, bons e maus, dessa vida. Nesse espectro bom e mau, extremos, variamos nossa posição na linha da vida. Dessa forma, culpar-se por um atitude infeliz é o mesmo que elogiar-se pela feitura de um ato bondoso. Não somos os instantes de nossa vida. Ao perpetrar o mal, que eu seja indiferente; ao fazer o bem, que eu seja indiferente. Evidente que a busca de todos é pela proximidade cada vez maior do extremo do bem no espectro da vida. Ações e falas convergindo ao bem.
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