À tarde
andreblake
Você resgata a esperança através dos dias pálidos e horas imutáveis e alegrias imaginárias; noites em tudo esquecíveis. Às sete da manhã você anda na roda dos meus sonhos e eu te encontro nas minhas pálpebras; à noite, no silêncio, penso em você como uma assassina de estrelas, as mesmas que no céu se ofuscam com sua magnitude de anjo caído, noviça fadada à Glória dos prodígios. Na pedra filosofal minhas mãos escrevem seu nome, nas nuvens do paraíso seu trono espera pacientemente. Ai de mim! Arranco meu coração pra te oferecer meu sangue, pois você é a mais ardente das filhas de Eva, o mais cruel anjo de Rilke e Prêmio consolador de um mundo à beira do apocalipse. E nessa tarde terrível de silêncio e preces, medo do inefável, amor resignado, sei que preciso da sua amizade como os dias precisam do fim, as noites, da escuridão; como a juventude precisa da inocência, dos segredos camuflados, verdades indizíveis; como a infância se alimenta do sol, dos doces campos primaveris e das tardes de crepúsculo, à espera da bruma da noite. E o tempo, tal como eu, necessita da sua inocência pra mergulhar o mundo (esse triste e chato mundo, onde a distância nos separa) nas águas em que Jesus caminhou.
Português
English
Español