Escritas

Um pouco saber

celiamaral
Encantei de mirra e outros incensos &
perfumes orientais, minha cama e cabelos para receber de ti
meu nome e suspiros da sua boca.
De nada foi-me desconhecido-
seu rosto
na neblina visível no pátio do ipê-
Subimos para o vinho e ali ficamos juntos à noite, 
ilusão de Serafim.
Noutro dia, castanheira, vento e silêncio. Uma pausa,
Qual foi, é duro 
sabemos, 
Todavia, seguimos desconhecidos.

E o tempo, não há,
E a espera, não ponderei,
E ficou para mim apenas a questão 
do abraço.

Passo invisível na Rua Direita:
Um desassossego quando vi-o passar. 
De mim, pensei, não olhe, Célia, deixe que venha, 
Esse amor já anunciado 
Não deveria ser neblina
Ou vontade  além, apenas,
Veja adiante, siga
subindo.
Mas ele irá olhar
Mas ele irá dizer
Mas ele irá lembrar, 
Dizia-me uma outra razão,
Razão inesperada, quiçá
Ou
Razão que eu já sabia e que outrora quis guardar
Sabendo da destruição.

Entretanto, econtros diurnos:
Lá eu, de fato, me encontrava
Subindo &
Ele, enquanto descia,
viu, 
Sem olhar
Sem dizer
Sem lembrar. Passou.
Ele passou,
eu pensava,
passou, Célia, continua. Mas não, resolvi voltar
&
Voltei os olhos e ele
Seguia
Descendo...