enlutamento
Durou dois meses, dois meses de conversas noturnas, alguns bom dias, vídeos de cachorrinhos, confissões íntimas, risos e paz. Ouvi de ti segredos, falei a ti intimidades, me mostrei vulnerável e acho que te vi também assim. Acabou, acabou com angústia no meu peito, mas não sei como teu peito reagiu, a não ser pelo claro e convincente silêncio. Teu silêncio foi conselheiro e sábio, primeiramente, me angustiou, como todo cenário de dolorosa verdade, mas depois, bela característica da verdade, me levou a uma paz resignada: entendi, procurei entender, busquei me lembrar do que foi bom e esquecer a parte da história que me dizia querer ser tua. Hoje me lembro como uma bela saudade, ainda confundo teus rosto nas pessoas quando saio à rua, ainda me lembro dos teus lábios...ah, tudo aquilo que parecia ser nunca foi. Me resta a melancolia do esquecimento, esse momento de te esquecer dói também, saiba disso, apesar de ser necessário, sim, preciso te esquecer pra poder melhor viver, mas esquecer de ti também é perder uma parte de mim: lembra daquela minha parte que sorria com uma mensagem tua, que tinha um olhar bobo e infantil quando estava contigo, que fazia questão de expor a própria vida, é isso, entende? essa parte gostosa de mim, afinal, esquecer é também deixar ir meu carinho, ou aquele tipo de carinho, e meu surpreendente lado apaixonado. Te perder quando nem ao menos tive você.
abandono a mim, pensando em ti
e sabendo que é preciso deixar ir
meus sentidos te rejeitam
mas rejeitar também é amar
entende que somes a cada dia de mim?
abandono a mim, pensando em ti
e sabendo que é preciso deixar ir
meus sentidos te rejeitam
mas rejeitar também é amar
entende que somes a cada dia de mim?
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