Não lhe quero mal

Não lhe quero mal, quero-a morta!
Porque viva não posso te ter
E não tê-la é pior que morrer,
E sabes disso, mas não lhe quero mal, não!

Quero-a morta afogada,
Seu corpo boiando, branca e fria,
Tendo como ornamentos
Os aguapés e as vitórias-régias em flor,
Quem sabe até uma garça...
Mas não te quero viva, não!

Vê-la viva em companhia
É doloroso, por isso te quero morta.
Ninguém mais te olhará, por nojo,
Mas eu a velarei da melhor maneira
Contemplando seu corpo até o primeiro verme surgir.

E eu o invejarei
Porque ele percorrerá os cantos do seu corpo
Que eu jamais sonhei.
O meu amor recusado
Agora de nada valerá,
Pois o verme está devorando
O único músculo que jamais bateu por mim...
E nem mais baterá.

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Comentários (1)

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selmacoqueiro@hotmail.com
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2011-07-05

Escreveste úmido com H.