PROCISSÃO

Quando chegavam os santos dias
Ficava da janela olhando a procissão
Alguns levavam velas acesas nas mãos
Enquanto outros disputavam o andor

Cantavam
Mas o burburinho nem sempre era oração

Então não entendia bem os modos da minha gente

Nos outros dias comuns
Eu ficava observando as saúvas
Que imitavam os adultos com exímia precisão

Algumas carregavam folhas
Com tamanho ardor que pareciam homens
Desfilando nos ombros os santos da cidade

Mas o chiado que faziam as formigas
E os rastros que deixavam pelo chão
Era a mais sagrada e sincera definição
De profusa religiosidade

Então bem ouvia Deus gargalhando de contente


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