Escritas

A santa

diogolibana
É mártir, talvez até santa!

Senta, ainda que nada sinta
ao palo, pêlo e aos pulos

Dá-se doce como bala,
bela, recatada e sem lar
É pegar e pagar.

Ao mando vulgar do dinheiro
cavalga qualquer vagabundo
Como folha, voa e, ao vento, vai.

Seu filho novo, inda feto,
é fato de pílula falha…
Somar este também à batalha
ou lançá-lo já à fornalha?

Sonha agora em ser senhora…
num mundo de dias belos
em que Deus não a obrigue
a dá-lo…

Nesse clima, pede, clama!
É o que sabe, o que pode
Acorda do sonho no antro em que,
outro que fede, lhe fode…

Encara o espelho muda,
muito claro enxerga o mote
Salta, se lança ao espaço…
Despedaça o espelho num bote!

Mata-o, em fúria, com um estilhaço
Vermelha a tinta… é tanta

Desfere, também  em si, um corte.

Sem carta para desfecho,
cavalga a morte num parto
quase sem dor… e parte.