Escritas

Não vi que o tempo passava

amendes
Não vi
que o tempo passava
sobre os campos.
Mas vi folhas caírem!
E reparei em gomos
que brotaram,
cresceram
e se tornaram novos ramos.
Vi multidões de flores
minúsculas,
singelas e efémeras,
cobrindo lugares hereges.
Esperei por frutos
e pelas suas mudanças
em tamanho, cor, sabor…
Plantei sementes,
aguardei, vigiei
e alegrei-me
quando germinaram!
Amparei plântulas frágeis
que se robusteceram
e ficaram árvores!
Corajosas,
sem vertigens, altas!
Tão altas…
E tudo isto várias vezes.
Tantas vezes.
Não sei quantas vezes…
Nem sabia que um dia
pensaria que podia
tê-las contado!