O Homem e o Nó

jeftedantas
jeftedantas
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Havia naquela estrada uma bota de couro com tantas imperfeições que decidiram pôr ela no pé. Assim, sem mais nem menos, humilhando-a. Sim, no pé. 

 Pra além daquelas entranhas, um homem de feição estranha e suor tão brilhante que formava um contorno de luz em sua testa. Em seu ser. 

 Por ordem talvez do acaso, ele se encontrava no descaso de se partir em pedaços; mas nem que fora por mais um minuto queria sentir aquele viver árduo, que vinha acompanhado de um frescor amargo, trazendo caos ao padecer.


 — Graças a Deus por esse maravilhoso dia! — falou o homem, quase como quem fala para sí. Como quem fala se esquecendo do desastre, enquanto trás à tona um sorriso cansativo de se ter. De tentar possuir.

 O sol permitia-lhe um rosto vivo e uma testa franzida, já eu estagnado e observando essa degradação paisagística que por algum motivo eu não conseguia nem sequer entender, pela sua simples complexidade de atos que me traziam o "porque", ou o "por que" tentar?
   Mas aquele homem não parecia temer, enquanto levantava as suas grandes mãos ásperas como o asfalto quente banhado por um sol escaldante de uma tarde em Salvador. Uma tarde em que o seu único instrumento para viver era uma enxada grande, que contida em suas mãos se tornava pequena. E com toda aquela brutalidade fatal ele se pois a cavar, enquanto sorria sem parar com todo aquele suor escorregando em sua testa que te dava um ar psicodélico natural, talvez para esse homem o dia-a-dia é o que mais alucina em uma perspectiva agradável. Ou pelos menos ele tentava, sim, aquele homem com certeza tentava. E em uma fração de segundos ele engolia o mundo com uma aparência que não se vê. Que não se espanta; Além do mais, mesmo que o mundo caísse sobre sua cabeça, ele continuaria sorrindo, com um nó na garganta, porém, sorrindo.
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