AO REDOR DA MESA

sentávamo-nos todos
as tias os primos e os ausentes
 
Naquela mesa
mastigávamos o tempo
lambuzando os pães
de infâncias e eternidades

Ao redor da mesa
alimentávamo-nos os corpos
de ovos arroz bifes e saladas
enquanto as almas 
engordavam de felicidade

Naquela mesa 
aprendi as letras as horas
as etiquetas e os rituais
tatuando na memória
rostos ruídos e fantasmas

Ao redor da mesa
passavam-se os dias e os jantares
todos eram felizes, sem saber
que semeávamo-nos 
de nostalgias e saudades 

Qual o destino das mesas
quando se vão os comensais?


Joaquim Cesário de Mello
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