Escritas

A forma do falso e a forma dita

MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES
A forma do falso e a forma dita
Fátima Rodrigues              

                                                                                                                                              ( Para a cantora Elza Soares)
Eu atravesso fronteiras, sem nenhuma permissão,

promovo ocupações, e por assim ser sou clandestina,

crio grafias no chão, nos ares, em mim e nos outros.

Me inscrevo em ações voluntárias

só pelo puro gosto de ultrapassar a forma dita

Quem sabe ler a forma do falso?

A forma que se diz Lei resistirá ao veredicto?

Caminho entre labaredas sem senti-las,

pois me fiz errante, desde as primeiras viagens.

Errar por subversão é algo que me sobra na vida.

Séculos já vivi e ninguém crê

E só quando atravesso os desertos é que retorno revigorada

Abraço as brisas nomeadas como o vento do Aracati, só para me aliviar...

E as brisas que são anônimas?

Para além da cena, adoro o anonimato!

porque ele me permite ser a forma perfeita.

Quando me mostro, a nudez me torna estranha a mim em razão do outro.

Persigo caminhar na escuridão, no deserto, e até mesmo no lamaçal que marca as tempestades,

após esses eventos vislumbro uma herança pura, recomeço de alma lavada.

O novo ali ressurge das vagas, sem nada a dar, mas com orgulho de ser.

É preciso recomeçar com a pureza de quem nada têm, nada herdou e nada é,

porque é do nada que viemos, e é para o anonimato que retornaremos

Ser natureza é o nosso destino, assim creio.
"Com Deus me deito
com Deus me levanto"
 Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil 26 de janeiro de 2022
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