NO INTERIOR DAS SEREIAS



Parem as máquinas

suspendam o tempo

Congelem os São Joãos e os Natais

deixem tudo que estão fazendo

 

Que seja amanhã feriado nas escolas

fábricas comércios e repartições

 

Indultem os presos

desocupem os manicômios

fechem os bares e os bordeis 

interrompam velórios e enterros

pois de tudo o que me sobrou

basta somente apenas este meu

 

Que estejam todos às calçadas

desliguem por minutos

os afazeres miúdos do cotidiano

e se retirem dos mundinhos

para então ver passar

pelas bordas e arredores da vida

este meu tão anônimo e

desacompanhado cortejo

 

Que se alegrem as flores 

que cantem os pássaros

que venham a lua e as estrelas

juntas com o sol

regozijarem-se neste apressado dia

em que minhas cinzas serão lançadas

no costado dos Oceanos

quando afogadas se espalharão 

a alimentar corais crustáceos 

peixes e todas as sereias

 

 

 

                                                                                                                         Joaquim Cesário de Mello
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