egomantismo
A ligação se aproxima do fim, lamentos já foram ouvidos, o que se vê, no momento, é resignação. Uma pergunta, porém, quebra o silêncio: “Lista pra mim, ao menos. os principais problemas meus nos âmbitos pessoal, emocional e ‘amante’?”.
Tum-tum-tum.
Ele não se conforma. Precisava saber dessa informação. Para que desligar a ligação tão rudemente? Já não bastava o término, agora tinha que lidar com a dúvida de ter sido ou não suficiente, seja lá o que isso signifique. No sofá com manchas de gordura, deitado, fitando o teto, ele rememora cada evento do namoro. Lembra-se de uma vez que deu flores à ex-namorada - ‘fui romântico’-, de outra em que levou-a a um restaurante luxuoso com músicos tocando violino - ‘ofereci o melhor’.
- É bem verdade que traí, sim, traí desde o início do namoro, mas ela me amava, dizia-me a todo instante daquele jeito esquisito dela. Era jovem, talvez seja normal pra essa geração. Quantas cartas escrevi, quantos poemas declamei…àquela vez que fiz nossa frase…nosso amor era lindo, tinha potencial, mas traí. Só que custava dizer se fui um bom namorado, amante, companheiro…? Vou ligar de novo, pedir pra voltar, vou continuar traindo, é verdade, mas vou poder continuar amando do jeito que gosto. Amava tão bem, me sentia ótimo, cuidava do amor como de uma criança. Às vezes, esquecia a criança no carro ou no supermercado e conhecia outras pessoas, porém logo retornava e alimentava o meu amor. É isso, amava o meu amor, e não a ela. Meu amor era uma terceira entidade na relação. Talvez nessa relação confusa, minha ex nem sequer fosse amada, acho que meu amor não a amava também, ela era acessória. Sim, meu amor me amava e eu o amava. Não traí meu amor, fui fiel a ele ao ponto de sempre vesti-lo com roupas novas, com acessórios novos. Que seja!
Tum-tum-tum.
Ele não se conforma. Precisava saber dessa informação. Para que desligar a ligação tão rudemente? Já não bastava o término, agora tinha que lidar com a dúvida de ter sido ou não suficiente, seja lá o que isso signifique. No sofá com manchas de gordura, deitado, fitando o teto, ele rememora cada evento do namoro. Lembra-se de uma vez que deu flores à ex-namorada - ‘fui romântico’-, de outra em que levou-a a um restaurante luxuoso com músicos tocando violino - ‘ofereci o melhor’.
- É bem verdade que traí, sim, traí desde o início do namoro, mas ela me amava, dizia-me a todo instante daquele jeito esquisito dela. Era jovem, talvez seja normal pra essa geração. Quantas cartas escrevi, quantos poemas declamei…àquela vez que fiz nossa frase…nosso amor era lindo, tinha potencial, mas traí. Só que custava dizer se fui um bom namorado, amante, companheiro…? Vou ligar de novo, pedir pra voltar, vou continuar traindo, é verdade, mas vou poder continuar amando do jeito que gosto. Amava tão bem, me sentia ótimo, cuidava do amor como de uma criança. Às vezes, esquecia a criança no carro ou no supermercado e conhecia outras pessoas, porém logo retornava e alimentava o meu amor. É isso, amava o meu amor, e não a ela. Meu amor era uma terceira entidade na relação. Talvez nessa relação confusa, minha ex nem sequer fosse amada, acho que meu amor não a amava também, ela era acessória. Sim, meu amor me amava e eu o amava. Não traí meu amor, fui fiel a ele ao ponto de sempre vesti-lo com roupas novas, com acessórios novos. Que seja!
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