Rastro da Febre do Rato
fantasma_sussurrante
Eu sou aquele que no dia da independência grita por clemência na avenida principal.
Onde no começo do ano tem o sexo, o gozo, o suor, o estupor do carnaval.
E no final, bem perto do final, marcham soldados armados demonstrando aos olhos dos bestas maravilhados um prelúdio infernal.
Nas vielas, nos becos, nos varais com trapos maltrapilhos é sempre luta para ter comida no começo do dia ou em seu final.
Mas mesmo assim, bandeiras e gargantas agitadas gritam como papagaios palavras que nem sabem para o quê advocam afinal...
Não há feriado no mangue, não há feriado que suspenda a fome, nem que devolva para a mulher o homem morto para a conveniência estatal.
Eu sou aquele que com um alto falante grita, berra, esperneia até estremecer os montes com minha voz rouca de cigarros e poemas declarados.
Eu sou aquele que no final, após a farra da avenida, é pego pelo policial; bastava uns socos na barriga, um spray de pimenta em minhas narinas, mas me jogaram desacordado no manguezal...
Se enganaram os que pensaram que só por haver morrido deixaria de assombrar os arranha céus desses ricos, que cospem de cima nas palafitas como se fosse algo tão banal.
Não... Vou me infiltrar nessa gentalha, tal como uma mortalha, meu cabelo grande e minha barba farão juz a revolução animal.
Bebam, mijem suas cervejas, escarrem o pó na pia e se enfastiem em suas mesas, pois um dia hei de bater em seu condomínio pessoal.
Neste dia nada mais de palafitas, nada mais de meninas e meninos jogados nas ruas da vida por conta dos pais que se esfolam o dia todo por um peixe ou pão em pleno festival.
Onde no começo do ano tem o sexo, o gozo, o suor, o estupor do carnaval.
E no final, bem perto do final, marcham soldados armados demonstrando aos olhos dos bestas maravilhados um prelúdio infernal.
Nas vielas, nos becos, nos varais com trapos maltrapilhos é sempre luta para ter comida no começo do dia ou em seu final.
Mas mesmo assim, bandeiras e gargantas agitadas gritam como papagaios palavras que nem sabem para o quê advocam afinal...
Não há feriado no mangue, não há feriado que suspenda a fome, nem que devolva para a mulher o homem morto para a conveniência estatal.
Eu sou aquele que com um alto falante grita, berra, esperneia até estremecer os montes com minha voz rouca de cigarros e poemas declarados.
Eu sou aquele que no final, após a farra da avenida, é pego pelo policial; bastava uns socos na barriga, um spray de pimenta em minhas narinas, mas me jogaram desacordado no manguezal...
Se enganaram os que pensaram que só por haver morrido deixaria de assombrar os arranha céus desses ricos, que cospem de cima nas palafitas como se fosse algo tão banal.
Não... Vou me infiltrar nessa gentalha, tal como uma mortalha, meu cabelo grande e minha barba farão juz a revolução animal.
Bebam, mijem suas cervejas, escarrem o pó na pia e se enfastiem em suas mesas, pois um dia hei de bater em seu condomínio pessoal.
Neste dia nada mais de palafitas, nada mais de meninas e meninos jogados nas ruas da vida por conta dos pais que se esfolam o dia todo por um peixe ou pão em pleno festival.
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