Escritas

Sessenta segundos

Frederico de Castro

Na face do silêncio brilha o tempo narciso, preciso, tão conciso
Abstém-se cada eco de sorver um embriagado afago sem juízo
Mais íntimo e definitivo se tornou este adeus inflexível e incircunciso

Na face do silêncio cada hora reporta sessenta segundos decisivos
Cada palavra digitaliza tantos dolorosos lamentos absurdos e omissos
Sufocantes e quizilentos todos os breus renascem perenes e submissos

Frederico de Castro
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