Escritas

Onde paira o poente

Frederico de Castro

Onde paira o poente paira o silêncio insurgente e devorador
Nos bastidores do tempo cada eco clamará felino e dominador
Sedutora a noite entregar-se-á nos braços de um breu tentador

Onde paira o poente cada hora absorve sessenta segundos difamadores
Deixa a tarde além partir tristonha a bordo deste silêncio indagador
Represa em meus olhos aquela lágrima pousada defronte de um desejo bajulador

Onde paira o poente as palavras fenecem pigmentadas de saudades manietadas
Varrem todo o horizonte com preces poéticas, incandescentes e exaltadas
Peregrinam indefesas ao longo das maresias apaziguadoras, famintas e apaixonadas

Frederico de Castro
137 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment